19º dia – 7 de fevereiro


Último dia na Ilha. A brigada nos levou a lugares onde pude ver de perto que o sistema social realmente funciona. Com todos os cubanos que conversei querem sim abrir a economia para melhorar a situação financeira e reconhecem que eles mesmos precisam mudar algumas posturas e todos têm confiança de que assim Cuba será um modelo de desenvolvimento econômico mais justo. Porque o social é o melhor do mundo, não levando em conta os países exploradores.

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Última imagem de Cuba antes de "desaparecer" no oceano

18º dia - 6 de fevereiro


O acampamento está quase vazio. Sobraram alguns brasileiros e chilenos. Aproveitamos para ficar um bom tempo na internet. Os cubanos que mais fiz amizade chama-se Ibrahim. Ele trabalha como segurança no acampamento, é ex-lutador de boxe e nos contou sobre suas viagens internacionais enquanto atleta. Só me lembro de ele ter citado a Suíça como um dos países que conheceu para defender as cores de Cuba.

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Antes da maioria ir embora, uma foto com toda a Brigada para a recordação

17º Dia – 5 de fevereiro


Hoje pudemos escolher entre ir para Varadero ou Havana. Como já conheci a praia do Carie e não vim a turismo fui para a cidade e ojala foi o melhor dia e cansativo também. Eu e Saulo fomos a casa de Natasha entregar uns presentes que o amigo do Saulo mandou para ela e sua família. É um apartamento num conjunto habitacional, mas muito mais espaçoso que os do Brasil.  

Começamos a conversar e Michel me explicou como são as taxas de água, luz e telefone e até mostrou a conta. As três juntas ficam em torno de 150 pesos nacionais, cerca de 6 dólares. A casa é muito bonita com home teather, TV grande, duas geladeiras na cozinha. Ele conseguiu trazendo da Argélia onde serviu por dois anos. Na casa moram quatro pessoas e três trabalham. Ana (mãe) é professora, Michel é fisioterapeuta e Natasha trabalha no Ministério das Relações Exteriores. Isso me convenceu de que os cubanos trabalhadores e que estão lado a lado da Revolução tem um melhor padrão de vida e merecido.

Michel nos deu uma aula sobre os problemas da Ilha desde as casas até o transporte público. Ele e Ana estão confiantes de que Raul está levando Cuba no caminho certo e que só agora o país está sendo motivado 100%a produzir e não esperar tudo sentado como na época da URSS. A Ana me deu alguns exemplos de como naquela época Cuba importava cebola e frutas da URSS e que atualmente o caminho é produzir de tudo já que á terra em Cuba é fértil. Para ambos se o projeto de liniamentos foi seguido a risca será ótimo.

Um dos grandes problemas enfrentados pelas habitações são os furações que acabam esgotando as matérias primas que seriam necessárias para a construção e são usadas para reforma. Segundo Michel o maior parceiro de Cuba é a Venezuela que além de fornecer petróleo, emprega muitos cubanos e uma parte do salário vai para o governo.

Ele nos deu exemplo de que aqui a punição funciona e citou um caso de um ex-ministro que ainda está preso por desvio de recursos. Michel também salientou o que Jobel havia divo sobre a Revolução Energética e mais: explicou que foram construídas várias plantas de energia e quando uma está extrapolando outra é ligada e assim por diante para haver equilíbrio.

Sobre o judiciário explicaram que os juízes são eleitos por concurso e há julgamentos com civil escolhidos por bons exemplos, semelhante ao nosso júri.

Ana contou que quando foi assaltada, graças a eficiência da polícia e as testemunhas, três dias depois ela fez o reconhecimento do criminoso que era menor de idade e por ser reincidente pegou oito anos de prisão. Ela contou que no primeiro delito a punição é leve, praticamente uma advertência, mas quando volta a cometer o delito a punição já é mais pesada.

Sobre o turismo, Michel reconheceu que é grande e lembrou que Fidel não concordava com a volta do turismo e dizia que com isso vem uma “cauda” inevitável de drogas, corrupção e prostituição, e por isso os cubanos(as) no começo da volta do turismo não frequentavam hotéis.

Michel é o primeiro cubano que conheci que tem carro. Ele comprou depois que voltou da Argélia. O governo beneficiou-o com 4 mil dólares e uma licença para comprar o carro. Segundo ele, no mercado daqui sairia 25 mil CUCs (dólares). Ana explicou que geralmente os carros são um “presente” para médicos, professores, militares, etc, ou seja, para quem quer fazer a Revolução seguir triunfando.

Já de volta ao acampamento, a noite conversando com os motoristas, Roberto me contou que as crianças quando escolhem fazer algum tipo de esporte com equipamentos caros ou de música ganham os mesmos sem custo algum.

16º dia – 4 de fevereiro


No dia 4 aconteceu a Festa Sul-americana no acampamento. Cada país dividiu-se em grupos para preparar comidas e bebidas típicas de cada país, assim como capricharam na decoração para apresentar cada nação.

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As festas no acampamento eram sempre muito animadas
A festa foi uma delícia com todos dançando, bebendo, comendo, se divertindo. A turma do Brasil puxou uma bela ciranda que foi agregada com os hermanos presentes, fazendo uma enorme e linda ciranda de sonhadores de um mundo melhor.  

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As pequenas dançarinas cubanas 

15º dia - 3 de fevereiro

Saímos do acampamento para Havana num dia livre. Fomos até a Bodeguita Del Medio, calle obispo onde comemos uma pizza a 5 pesos cubanos e depois para a Casa da Amizade onde vimos uma apresentação de dança do famoso grupo infantil chamado La Colmenita.



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La Bodeguia Del Medio, um dos mais famosos de Cuba
O grupo existe desde meados dos anos 1990 com diversas companhias espalhadas pelo país e atualmente conta até com uma filial em Sevilha, na Espanha. Entre as apresentações internacionais está a participações em países como Rússia, Turquia, Dinamarca, entre outros.

Em 2007 o grupo tornou-se o primeiro grupo de dança cubano e no mundo que recebeu o título de Embaixador da Boa Vontade pela Unicef.

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Apresentação na Casa da Amizade

14º dia em Cuba (2/2/2011)

Ontem fomos convocados para marcha em comemoração dos 12 anos da Revolução Bolivariana da Venezuela. Anteontem houve uma explosão num depósito de armas e munição durante a madrugada, o que levanta a suspeita de terrorismo por parte dos mercenários financiados pelos Estados Unidos da América. A marcha começou na rede do Icap até o Malecón, onde está localizado a estátua de José Marti, e continuou até o local onde está a estátua de Simon Bolívar. Ali aconteceu um ato em homenagem a Bolívar, Hugo Chavez e a Revolução. Alguns dirigentes cubanos e venezuelanos fizeram o uso da palavra e salientaram as conquistas da América Latina mesmo com a interferência do imperialismo norte americano.

Brasileiros da Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba durante marcha em Havana.

À noite assistimos um documentário sobre os Cinco Heróis. Trata-se dos cinco agentes secretos cubanos que estavam infiltrados em grupos terroristas em Miami, EUA, que armavam contra Cuba. Após as autoridades cubanas denunciarem esses grupos com provas o governo norte americano prendeu os agentes cubanos e os acusaram de terrorismo contra os EUA. Os cubanos permanecem em cárceres separados como solitárias há 17 anos. E um deles já foi condenado a duas prisões perpétuas (sugiro o livro “Os últimos soltados da guerra fria” de Fernando Morais para quem gostaria de saber de toda a história).


Nota do autor: No final de 2014 todos os Cinco Heróis foram libertados mediante ao acordo histórico entre os governos de Cuba e EUA que começam a reaproximação diplomática entre os países depois de 50 anos de bloqueio

13º dia em Cuba (2-2-2011)

Pela manhã fomos novamente trabalhar no campo. A tarde tivemos uma conferência sobre o “anti-cubanismo” midiático e só enfatizou tudo o que já sei sobre o assunto. A imprensa tradicional pelo mundo, como a Globo e o New York Times, não mostram a realidade em que vive o povo cubano e constantemente aparecem notícias atacando todas as esferas da sociedade cubana que prontamente é desmentido pelos veículos de comunicação da ilha caribenha, mas que obviamente não tem espaço nessa mesma imprensa tradicional para mostrar o outro lado da história. Um veículo muito usado hoje para atingir principalmente os jovens interados com o mundo virtual é o site www.cubadebate.cu que também tem um canal no youtube com o nome cubadebate em que postam vídeos quase que diariamente com noticias factuais da ilha e também desmentindo diversas mentiras sobre Cuba.

Mais uma de trabalho no campo

Durante a noite tivemos a possibilidade de conversar com representantes de três movimentos sociais que eram da União dos Jovens Comunistas, Fundação das Mulheres Cubanas e Central do Trabalhador Cubano. Escolhi o representante da União dos Jovens Comunistas. Ele nos contou sobre a instituição e os jovens em geral. Segundo ele o principal problema dos jovens de hoje em se afirmar é que não tem casas para eles viverem e até quando casam a única solução é se integrar a uma das famílias. Isso acontece porque a maior parte dos materiais de construção que poderiam ser destinados a novas moradias, são usados para reformar as casas que sofrem com os furacões que passam pela Ilha. São mais de 10 furacões por ano que passam por Cuba. É importante lembrar que nenhum cubano mora na rua, todos tem sua residência fixa.

A União é composta pela vanguarda e para ingressar há uma série de fatores já que precisam servir de modelos para os mais jovens. A cada ano ingressam cerca de 90 mil novos militantes, mas há uma margem maior que gostaria de entrar, porém não atingem os requisitos necessários. Mas para o líder dos jovens, “só de aspirar para entrar na organização já cria uma conscientização de bons valores, o que é o grande objetivo da instituição de jovens”.
Com o camarada Rogério no caminhão voltando do trabalho voluntário no campo
Há uma influencia muito grande dos EUA. Cerca de 98% dos filmes vistos em Cuba pelos jovens são norte-americanos e os outros 2% da América Latina e Cuba. Ainda segundo o representante, alguns sites bloqueiam o acesso a partir da ilha, como já aconteceu com facebook e outros domínios da rede mundial de computadores.

12º dia (01-02-2011)


Mais um dia indo para o campo trabalhar. Foi praticamente a mesma coisa que ontem, a não ser que mesmo após termos acabado de fazer o trabalho arranjaram mais coisas pra fazer, que espírito revolucionário ein. E sempre foi numa boa respeitando os limites de cada um, se você cansasse podia fazer uma pausa que ninguém ia te incomodar, mas a coordenadora Maylin incentivava a todos a não ficar muito tempo parado. Senti-me um pouquinho como bóia fria, louco por um prato de arroz e feijão, no caso de Cuba, um prato de congri (arroz e feijão preto cozidos juntos, típico cubano).


Com os compas após o trabalho voluntário no campo esperando para voltar ao acampamento


Pela tarde tivemos uma conferencia sobre o anti-cubanismo midiático, contando sobre como nesses 50 anos de Revolução os grandes empresários e governos sempre gastaram milhões para implantar falsas notícias e divulgá-las pelo mundo, mas graças ao trabalho árduo dos jornalistas cubanos tudo foi e é rapidamente desmentido, mas a grande imprensa direitista não dá o direito a resposta. Um veículo muito usado hoje para atingir principalmente os jovens inteirados com o mundo virtual é o site www.cubadebate.cu que também tem um canal no youtube com o nome cubadebate em que postam vídeos quase que diariamente com noticias factuais da ilha e também desmentindo diversas mentiras sobre Cuba.

Grafite na entrada do acampamento na cidade de Caimito

Durante a noite tivemos a possibilidade de conversar com representantes de três movimentos sociais que eram da União dos Jovens Comunistas, Fundação das Mulheres Cubanas e Central do Trabalhador Cubano. Escolhi o representante da União dos Jovens Comunistas. Segundo ele a principal dificuldade na independência total dos jovens perante a sua família é que não há novas casas para todos os novos casais morarem. Isso se deve há uma questão geográfica da Ilha que sofre dezenas de furacões por ano e muito do material usado para novas construções acaba indo para as reformas nas casas atingidas pelos furacões .  A UJC é composta pela vanguarda e para entrar há uma série de fatores, já que precisam servir de modelos para os mais novos.  A cada ano ingressam cerca de 90 mil jovens, mas ainda há uma margem maior que deseja entrar e não consegue, mas segundo o representante só desses jovens tentarem já cria uma conscientização de bons valores, que é o objetivo da UJC. Também nos contou que mesmo em Cuba há uma grande influencia da cultura norte americana, sobretudo no cinema, onde 98% dos filmes vistos pelos cubanos são produções dos Estados Unidos e os outros 2% dividem-se entre cinema nacional e da América Latina. E ele nos esclareceu uma coisa importante sobre a internet. Quando alguém não consegue acessar algum site de fora, como o Google ou youtube isso não é interferência do governo cubano e sim decisões vindas da matriz de cada empresa que atendem aos interesses do governo norte americano.

11º dia em Cuba - 31/01/2011



Como estava na programação que iríamos três vezes trabalhar pela manhã em campos agrícolas e assim aprender com os trabalhadores como funciona a reforma agrária sempre constante em Cuba, hoje fomos pela segunda vez. Nessa ocasião o coordenador geral da Brigada foi dividindo as cerca de 150 pessoas que estavam presentes. Algumas ficaram nas plantações entorno do acampamento que da a sustentabilidade para alimentação do local e outras foram trabalhar em outro campo, cerca de 10 minutos de carro até lá.

Até o veículo de transporte foi o mesmo dos trabalhadores, para sentirmos bem na pele o que passam e mostrando o caráter sério da Brigada em mostrar a realidade do dia a dia. No Brasil o famoso pau de arara, mas eu diria bem mais moderno, já que é bem mais alto e dificilmente alguém cai, conosco foi tranqüilo todos nós presentes gostamos da experiência. Chegando lá havia caminhões despejando terras para plantação, e adivinhem quem fez a aragem da terra? Essa foi a missão passada para os brigadistas nesse dia e assim ficamos das 7h até 12h.
Esperando a saída do caminhão que nos levava para o campo agrícola


Após o almoço e um tempinho para tomar banho e descansa fomos visitar a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM). Infelizmente era tempo de férias e não havia muita movimentação, apenas alguns estudantes fazendo esportes ou indo até a biblioteca para estudar. Ali aprendi que antes de se tornar uma faculdade internacional o local era uma base militar e com os furacões de 1998 que devastaram os países principalmente caribenhos, Fidel Castro aprovou a idéia de fazer uma universidade de medicina para ensinar quem não tem condições de pagar e depois de formado voltam ao seu país de origem para ajudar a população. E assim é até hoje com participação de estudantes de 116 países latino americanos, Estados Unidos, África, Ásia e Oceania.
Fachada da ELAM


Isso mostra mais uma vez que a Revolução cubana não acabou com a chegada de Fidel a Havana, mas que estará em constante transformação e por isso os cubanos tem os mais altos índices sociais da América Latina. Cuba é um país que exporta médicos enquanto a maioria exporta soldados e mercenários. Atualmente os colaboradores cubanos estão em 73 países ajudando em missões médicas. No Haiti, por exemplo, estão centenas de médicos e enfermeiras de Cuba salvando vidas desde terremoto de 2010, mas sequer foi notícia de rodapé do jornal.

Pela noite assistimos o documentário norte americano “De pueblo a pueblo” , onde mostra uma caravana que percorre todo o território dos Estados Unidos tentando conscientizar as pessoas sobre Cuba, o bloqueio, os cinco heróis, etc. O que me chamou a atenção foi o número de jovens norte americanos engajados nesse movimento e que usando algumas tradições culturais modernas dos adolescentes conseguem abrir uma linha de dialogo com eles, através do hip hop e grafite, por exemplo.

10º dia em Cuba - 30/01/2011



Hoje ficamos livres pela cidade e depois de uma semana sem se comunicar com minha família, consegui enviar e-mail’s e espero que tudo de certo. No hotel que usamos a internet, o funcionário perguntou de onde éramos e na conversa disse ser fã de rock e que o Cavalera Conspiracy, banda de rock dos irmãos Cavalera, há pouco tempo atrás tinha feito uma apresentação em Cuba, o que me deixou surpreso e contente.

Na volta para o acampamento um casal brasileiro que também estava na brigada contou que pegaram ônibus e ficaram surpresos porque não precisaram pagar. O coordenador cubano da brigada, Yobel, interveio e disse que isso é falta de consciência social, não pagar pelo transporte público que custa apenas 40 centavos de pesos cubanos (1 peso cubano é menos que 20 centavos de reais). E que esse problema é um dos principais que enfrenta a Ilha, causado pelo paternalismo desses mais de 50 anos de Revolução onde o povo acostumou a ter tudo de graça.
A passagem custa 40 centavos de pesos cubanos, menos de 20 centavos de reais e não é obrigado a pagar
  Yobel ainda nos contou que no começo dos anos 2000 houve a Revolução Energética onde foi feito um censo em todo o território cubano e foram distribuídas novas geladeiras e panelas elétricas para todas as famílias que em troca pagariam uma taxa pequena pelos novos bens. Foi preciso trocar as geladeiras, pois as antigas estavam consumindo muita energia, além de serem velhas. Os novos eletrodomésticos foram importados da China. Mas muitos cidadãos não pagaram e mesmo assim o governo não pegou de volta. Os CDR’s tiveram a missão pela distribuição e tentavam convencer as pessoas a pagarem. As taxas não chegavam há 100 pesos por mês e seriam pagas durante dois anos.

Ainda na Revolução Energética, foram construídas diversas usinas de geração de energia pela queima de lixo. Por isso hoje não há mais apagões em Cuba e sem aterros sanitários ajudam o meio ambiente. Todo o lixo é levado para as usinas espalhadas pelo país e assim não precisam de aterro, já que todo lixo será incinerado e com o gás é gerado a energia. 

Central Elétrica Ariguanabo, próximo a Havana, construído graças a Revolução Energética
 Para Yobel falta essa consciência de que todos devem contribuir para a Revolução melhorar. Hoje, luz, água e telefone são cobrados por consumo, pois havia desperdício e muitos dormiam até com as luzes ligadas. Mesmo com o novo modo de tarifar, as taxas ainda são baixas, até para quem gosta de abusar. Desde os anos 1990 percebendo esse paternalismo nas novas gerações e conseqüentemente um desanimo para estudar e trabalhar, o governo criou projetos para jovens que entram direto do colégio para faculdade em que os estudantes ganham 150 pesos por mês para continuarem na carreira acadêmica, lembrando que já é de graça. Ainda para o cubano, comparado com o restante do mundo as novas gerações não percebem essas regalias.

9º dia em Cuba

Hoje foi o último dia conhecendo o interiorzão de Cuba e hospedando-se nos hotéis. A partir de agora vamos ficar no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella – que já expliquei mais no terceiro dia do diário em Cuba – e chamávamos carinhosamente de acampamento roots. Na longa viagem de umas 10h, por causa das paradas, a primeira foi na cidade de Santa Clara no mausoléu e museu do Che Guevara (são no mesmo local). De longe se pode ver uma linda estatua de 16 metros de altura do Che. Com diversos painéis cheios de esculturas ou frases do Che, além da carta de despedida do argentino para o Fidel antes de ir a guerra do Congo. Dentro do museu tem a vida inteira do Che, literalmente. Ali estão as roupas, boina, cantil, binóculos, armas, etc; tudo que foi usado por ele durante a vida, até boletins escolares e textos de sua infância e juventude. 


Museu e mausoleu do Che Guevara em Santa Clara
"Assina o comandante Ernesto Guevara a missão de conduzir desde a "Sierra Maestra" até a provincía de "Las Villas" uma coluna rebelde"
Infelizmente não é permitido o uso de câmeras no museu. Num outro complexo do museu tem os restos mortais do Che e dos combatentes que caíram com ele na Bolívia, e que só foram achados décadas depois num local usado para desova dos corpos dos guerrilheiros. Depois fomos ao local onde foi construído um complexo escultórico em homenagem a batalha do “Trem blindado”.  Um professor de história e que mora na cidade nos contou que num ultimo suspiro de combater o Exército 26 de Julho que avançava em direção a Havana, o ditador Batista orquestrou que milhares de soldados infiltrariam nas cidades pelos trens e destes começariam o ataque. Os trens foram preparados para os fuzis ficarem apontados para fora e ao mesmo tempo proteger os atiradores. O que não esperavam é que Che já os estava junto aos guerrilheiros e sabotaram a ferrovia, assim o trem descarrilou. Com vagões ainda em pé houve uma intensa batalha. Até que com a ajuda da população que tacava coquetéis molotov nos testos dos vagões (que eram de madeira) os soldados do Batista se renderam. Dali por diante com Santa Clara controlada a vitória da Guerra Revolução deu-se como concreta, mas que perdura até hoje com a garra dos cubanos frente as atrocidades cometidas contra a soberania e independência de seu país. O complexo é enorme e com diversos vagões tombados e esculturas imitando explosões fica mais realista.
"Monumento a ação contra o trem blindado"
Objetos dos soldados de Batista

 Dentro dos vagões há fotos e objetos da época contando a historia da Guerra da Revolução que se desenrolou naquela cidade. Nos últimos vagões são apresentadas obras de arte de artistas locais. Em torno desse complexo há um parque para crianças que não pude deixar de notar. Contornado por um rio, que não me parecia poluído pelo menos pelo cheiro, o parque esta muito bem preservado e naquela tarde de sábado estava com diversas crianças se divertindo.



Parque em frente o monumento do trem blindado
Na cidade nenhuma surpresa. Ruas limpas, carros antigos mesclando o transito (sem caos) com os carros novos, casas bem preservadas, nenhum barraco, nenhum mendigo e nenhuma criança pedindo dinheiro ou cheirando cola nas praças.
No acampamento ficamos divididos entre seis pessoas em cada quarto. Eram vários complexos e todos com seus banheiros femininos e masculinos separados, claro. O chuveiro não tinha aquecedor e o melhor horário para tomar banho era por volta das 16h (4h da tarde) quando a água vinha um pouco morna no chuveiro. Teve gente de outros complexos que disse que a água nesse horário estava quente mesmo. Além dos chuveiros contava com cerca de cinco privadas separadas por boxes e uma grande pia com diversas torneiras e espelhos. Para fazer a barba eu usei meu barbeador elétrico sem problemas no banheiro porque tinha tomada perto da pia e de frente pro espelho. Do lado de fora conta com pias que usamos para lavar as roupas e em frente ao quarto pendurávamos no varal que tinha por todo o corredor.


Noites e madrugadas no acampamento

A noite já no acampamento e depois da janta fizemos uma fogueira e com rum e violão proporcionou-se um luau perfeito. O cozinheiro chef do acampamento, Polin – que contei no terceiro dia do diário em Cuba – apareceu todas as noites para tomar umas e principalmente fazer amizade conosco. Contando sua trajetória para nós ele atualmente com 25 anos fez um curso de chef com dois anos de duração e gratuito. Pagando apenas pela apostila que ele mesmo disse ser barata e depois de se formar recebeu a oportunidade de trabalhar ali. O curso não era um curso de faculdade e sim um curso entre os tantos oferecidos pelas centenas de instituições de ensino que vão além das formações tradicionais escola, colegial e faculdade. Já eram três anos trabalhando no acampamento o que é a coisa mais prazerosa do mundo para ele, pois pode exercer a ocupação que tem afinidade e poder conhecer tantas pessoas do mundo inteiro. O único lado ruim é que mesmo em pouco tempo as amizades ficam muito próximas, ao mesmo tempo em que duram pouco já que a maioria não volta para o acampamento novamente. E sobre a distância da família ele disse que não se incomoda já que esta sempre falando com eles e tem suas folgas para visitá-los.
Realmente Polin tem razão nesse lado “ruim” porque a amizade criada em Cuba ao redor da fogueira, rum, charuto, violão e a brisa do Caribe fazem com que tudo isso seja para sempre, inesquecível e imortal.