7º dia em Cuba

Depois de conhecer o sistema de ensino de pertinho hoje é dia de ir ao hospital. Mas só de tarde, pois pela manhã fizemos trabalhos voluntários em campos agrícolas. Demorei para tomar o café e perdi o ônibus da delegação brasileira e fiquei com os chilenos. No caminho todo eram só piadas e muitas risadas. Um dos motoristas costuma de vestir de vermelho a noite quando estamos dançando e tomando umas, e recebeu o apelido de...”Chapolin”, o mesmo tão conhecido pelos brasileiros e que os cubanos também aprenderam a gostar assim como toda a América Latina.
Ficamos lá por volta de três horas e com o sol do Caribe o cansaço bate mais forte. O trabalho consistia em tirar as ervas daninhas das plantações de alface, repolho, cebolinha, couve, entre outros. 

A área tinha 200m x 100m mais ou menos e apenas seis cubanos(as) dão conta de todo o trabalho. Uma das camponesas nos explicou que o governo dá o incentivo subsidiando a terra, equipamentos e combustível. 50% da plantação o governo decide para onde vai e a outra parte o trabalhador comercializa como achar melhor. E o lucro é dividido por igual entre os camponeses.
Pela tarde fomos ao Hospital Roberto Rodriguez, da cidade de Moron. Pude ver de perto que o ser humano aqui é tratado como tal e não como um mero capital. 


O diretor chefe do hospital passou por uma sabatina antes de andarmos pelo complexo. Dá pra ver na foto o médico de jaleco branco conversando conosco e o grande salão ao fundo que serve para os parentes dos pacientes que estão sendo atentidos, já que sala de espera não é preciso. As salas de tratamento recebem no máximo cinco pacientes e sempre há um enfermeiro para assisti-los. Praticamente todos os medicamentos são produzidos em solo cubano. A partir da doença diagnosticada o prazo para cirurgia é de no máximo trinta dias, salvo os casos em que precise importar algum material. O aborto é legalizado até a décima semana e com o consentimento da família, do contrário sem chance. A medicina de células tronco já é mais que uma realidade em Cuba e é explorada em todas as áreas. Em Cuba existe o médico da família em que o médico vai “fiscalizar” a saúde dos próprios vizinhos e a checagem é feita a cada seis meses. Se o cidadão faltar o médico liga para o trabalho do mesmo e o chefe dá uma bronca e o manda para o médico (que cosa no?!). Também se dá uma atenção especial para a medicina da natureza e da antiguidade, chama-se Medicina Natural e Tradicional. A medicina bucal é integrada como toda a medicina cubana e por isso eu não vi nenhum cubano banguela ou de dente amarelo ou com dente caindo. Os medicamentos para quem vai ao hospital ser atendido são de graça e quando é diagnosticada uma doença em que precise de tratamento (gripe, por exemplo) o medicamento é comprado numa farmácia – é obrigatória a apresentação da receita médica – e paga-se centavos, praticamente um preço simbólico. 


Visitando todas as alas e salas do hospital não vi ninguém lamentando por demorar pra ser atendido e nem filas, nenhuma na verdade. O que vi foi um hospital muito bem equipado e que tinha até mesmo ares de biblioteca tamanha era a tranqüilidade, lembrando que esse hospital é o maior da região e atende diversas cidades por perto nos casos mais complexos.
Pela noite fomos a dois núcleos do Comitê de Defesa da Revolução. O CDR foi criado no começo dos anos 60 para organizar, ensinar, mobilizar e continuar com o espírito da chama revolucionária que segue forte entre os cubanos. Os comitês são divididos a cada quarteirão (mais ou menos) e a é dali que surgem os candidatos a qualquer cargo político e também a discussão e solução dos problemas do país – como a nova reforma econômica que foi levantada pelos CDR’s e pelos sindicatos. 
No caminho ao primeiro núcleo, que nada mais é do que a casa de alguém, estava uma forte e chuva e ficamos "ilhados" dentro da casa, mas foi divertido, pois houve até batucada e dança entre o pessoal.